05 Fev 2018

Crescimento do parque automóvel
reduz segurança rodoviária

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O crescimento exponencial do parque automóvel tem resultado na redução da segurança rodoviária, levando a mortes massivas evitáveis, à ocorrência de frequentes e sistemáticos engarrafamentos, escassez de espaços de estacionamento, aumento da poluição sonora, atmosférica e visual, entre outras consequências. Esta é a constatação apresentada pelo Eng. Silva Magaia, Presidente do Conselho de Administração da empresa Maputo Sul, durante a palestra que tinha como tema “Mobilidade urbana: rastreio em Maputo e Matola, que teve lugar no dia 31 de Janeiro, na Cidade de Maputo. O Eng. trouxe uma reflexão sobre os problemas de mobilidade dos cidadãos, de e para as cidades de Maputo e Matola, tendo em conta o crescimento da população versos parque automóvel.

Falando para uma audiência composta maioritariamente por engenheiros, sustentou através dos resultados de um inquérito por ele conduzido, que a velocidade média de circulação no perímetro Maputo – Matola – Marracuene é inferior a 17km/h, isto é ligeiramente acima da velocidade duma marcha a pé e muito abaixo da velocidade de projecto duma estrada de terra. Esta constatação, explicou, permite-nos argumentar que andar de “txopela”, cuja velocidade média cifrou-se em 14 km/h, é certamente mais atractivo que andar de carro. O inquérito levou ainda a outras constatações “arrepiantes”, é o caso do facto de cerca de 80% da amostra deslocar-se em viaturas ligeiras pessoais ou de serviço, e o facto de os períodos de atraso em relação ao tempo ideal das rotas situarem-se entre 40 e 60 minutos para distâncias de 10 a 20 km, respectivamente.

Relacionando o crescimento da população e o do parque automóvel, o Eng. Magaia concluiu que “se nada for feito para mudar a tendência actual, em 2030 as cidades de Maputo e Matola terão no seu perímetro 378.500 viaturas ligeiras em circulação, isto admitindo que 1/3 das cerca de meio milhão de viaturas adquiridas não conseguirão sobreviver ao tempo; por essa altura, a população combinada de Maputo e Matola será de aproximadamente três milhões de habitantes, resultando num rácio bruto de uma viatura ligeira para cada oito habitantes, ou seja 126 viaturas ligeiras por cada mil habitantes; e assumindo que em média cada uma destas viaturas ocupe cerca de 4 metros na via pública, conclui-se que em 2030 serão necessários mais de 1.500 km de estradas urbanas na área do grande Maputo, um investimento não exequível nas condições de pobreza em que o país se encontra.

Neste contexto, o Eng. Magaia chama atenção para a necessidade de um planeamento, a longo prazo, de infra-estruturas viárias incluindo a possibilidade de construção de estradas elevadas sobre as existentes (viadutos). Como medidas imediatas, tendentes à atenuar a grande crise de transportes públicos propõe a combinação de solução, inteligentes, Metro Bus, comboios e autocarros de grande capacidade enquanto se estuda a viabilidade de outros modos de transporte cuja implementação requer avultados investimentos. Trata-se de um tema que motiva outras reflexões em busca de soluções para a mobilidade nestas duas cidades.

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Reabilitação da Estrada Nacional nº4

No mesmo dia, foi apresentado tema “Divulgação dos trabalhos de reabilitação da Estrada Nacional nº4 Maputo – Witbank”, pelo Eng. Fenias Mazive, Director de manutenção e representante da TRAC, cuja apresentação pode ser vista aqui (link).

Na sua apresentação, explanou sobre o projecto em curso em particular no que se refere ao troço compreendido entre a Shoprite da Matola e a praça 16 de Junho em Maputo.

Explicou com algum detalhe o tipo de soluções adoptadas na resolução de alguns problemas encontrados no processo de execução das obras em particular a questão da drenagem e a introdução de uma via paralela à N4 que permitirá a movimentação de veículos de e para a área comercial situada entre o Shoprite e o cruzamento da BIC. Prevê-se a adição de mais uma faixa no cruzamento da antiga brigada montada para minimizar o congestionamento de camiões de carga rumo ao Porto de Maputo. Foram dadas indicações da sinalização que será instalada para regular a circulação de veículos pesados (camiões e autocarros) pela faixa mais a esquerda.

Foi referido que um dos grandes problemas que a TRAC enfrenta é o excesso de carga contida nos camiões e que provoca grandes danos ao pavimento. É um problema cuja solução requer o envolvimento de outras entidades, incluindo a revisão da legislação visando a introdução de medidas mais gravosas.

Devido ao pouco tempo disponível para o debate, algumas questões continuam por esclarecer nomeadamente a Norma Técnica utilizada para o traçado da estrada; a velocidade de projecto e a de utilização; a Secção transversal tipo com a indicação da dimensão das faixas de rodagem; tipo de separador central e a largura de segurança para cada lado do separador; largura das bermas de segurança pavimentadas e não pavimentadas.

No troço Shoprite Ressano Garcia está ainda por resolver o grande conflito de tráfego no chamado cruzamento de Tchumene.