Mensagem do Bastonário

Discurso de tomada de posse

Candidato a Bastonário – Alberto Júlio Tsamba, Membro 238 

Excelentíssimo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos

Digníssimo Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da OrdEM,

Excelentíssimos Bastonários das Ordens dos Profissionais aqui presentes,

Respeitados Membros do Conselho de Direcção da OrdEM recentemente Eleitos,

Caros Membros do Conselho de Direcção da OrdEM cessante, Ilustres ex-Bastonários da nossa OrdEM,

Representantes das instituições nacionais e internacionais,

Magníficos Reitores da Universidades e Ilustres Directores das Faculdades de Engenharia parceiras da OrdEM

Digníssimos PCAs e Directores-Gerais das institituições públicas e privadas que exercem actividades de engenharia em Moçambique,

Respeitados representantes do Sector Empresarial Moçambicano,

Caros colegas engenheiros, membros efectivos e estagiários da OrdEM,

Distintos convidados,

Minhas senhoras e meus senhores,

Permitam-me que comece por agradecer a presença de cada um de vós aqui neste evento. Aos representantes do empresariado privado e público, aos dirigentes das instituições de ensino superior de engenharia, à S. Exa MOPHRH e demais convidados, queremos reiterar o nosso compromisso de convosco estreitar, fortalecer e consolidar relações de colaboração e interacção, a bem da nação e do seu Povo.

Minhas senhoras e meus senhores,

É com profunda honra e sentido de responsabilidade que assumo hoje o cargo de Bastonário da Ordem dos Engenheiros de Moçambique. Este momento não é apenas de celebração de uma eleição, mas sim o compromisso renovado de trabalhar para colocar a engenharia no centro do desenvolvimento nacional e do serviço à Sociedade Moçambicana.

Vivemos num país rico em potencial, mas ainda marcado por fragilidades estruturais. O engenheiro Moçambicano, que deveria ser protagonista na definição e execução das soluções de desenvolvimento, tem sido frequentemente relegado para um plano secundário. Esta realidade não pode continuar. O futuro de Moçambique exige que a engenharia seja reconhecida como força motriz da industrialização, da inovação e da transformação dos nossos recursos em riqueza real para o povo, e consequentemente, colocada no lugar devido sem subterfúgios, porque é preciso trazer o bem estar aos Moçambicanos.

O nosso manifesto, que hoje torna-se guia da nossa acção governativa, assenta em princípios claros: competência, ética, credibilidade, legalidade, transparência, inclusão, inovação e serviço à Sociedade. Estes valores serão a bússola que orientará cada decisão e cada passo da nossa gestão. Este mandato será, inequívoca e propositadamente guiado por estes princípios.

Permitam-me destacar alguns compromissos centrais: 

a)  Fortalecimento institucional e modernização da gestão: concluiremos a digitalização da OrdEM, tornaremos os processos mais transparentes e acessíveis, e reforçaremos a confiança dos membros na sua instituição;

b)  Valorização da profissão e da ética: Criaremos mecanismos de denúncia, códigos de conduta activos e campanhas públicas que devolvam prestígio à nossa profissão e defenderemos o exercício de engenharia em conformidade com a lei;

c)  Capacitação contínua: investiremos em formação, investigação aplicada e plataformas digitais de aprendizagem, para que cada engenheiro Moçambicano esteja preparado para competir e liderar a transformação de sonhos em realidade, no país e, porque não, a nível internacional, com particular destaque para a nossa região da SADC em parceria com os seus homólogos neste espaço geográfico;

d)  Equidade e expansão territorial: a OrdEM vai continuar a expandir-se em território nacional, chegando cada vez mais perto de todos os seus membros e da Sociedade Moçambicana, porque queremos estar presentes em todas as províncias, próximos de todos os nossos membros, com destaque para os jovens e as mulheres engenheiras, e atentos às necessidades dos colegas que trabalham nas zonas rurais;

e)  Promoção da engenharia nacional e cooperação internacional: defendemos a primazia dos engenheiros Moçambicanos em projectos nacionais e queremos deixar uma marca de “Engenharia Moçambicana” reconhecida pela sua qualidade e ética;

f) Internacionalização do engenheiro nacional: iremos maximizar as oportunidades que a filiação em organismos colectivos regionais, continentais e globais, bem como as relações bilaterais e multilaterias existentes, quer na CPLP quer nos PALOP, nos proporcionam para a internacionalização do nosso engenheiro e da engenharia praticada em Moçambique.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O exercício da engenharia deve respeitar a legislação em vigor, não apenas para proteger a Sociedade, mas também para defender o próprio praticante dos actos de engenharia. Este será um caminho seguido sem guerras, mas com a firmeza que se impõe, para devolver a legalidade e a credibilidade à nossa profissão bem como a devida responsabilidade institucional sobre o exercício desta profissão.

Contudo, há que ter em devida conta os desafios externos. Um destes desafios está na formação em engenharia. Com efeito, o ensino da engenharia no país carece ainda de investimento sério em recursos humanos, infra-estruturais, financeiros e materiais, tanto pelo sector privado quanto pelo público. Com os recorrentes problemas no sector de educação em toda a sua extensão, por um lado, e sem universidades fortes, sem laboratórios devidamente equipados, sem estímulo à investigação, por outro lado, não lograremos formar os engenheiros que Moçambique precisa, hoje e amanhã.

É nossa missão, como OrdEM, ser voz activa na defesa de políticas públicas que priorizem o ensino técnico e científico, que incentivem os jovens a seguir carreiras em STEM (Ciências, Tecnologias, Engenharia e Matemática) e que preparem o país para a era da industrialização, uma industrialização forte e à altura dos recursos que o país detém, no continente e no mar e das necessidades de desenvolvimento nacional bem como do papel que Moçambique deve desempenhar no contexto económico regional, continental e global.

A industrialização é, de facto, o grande imperativo nacional. Não podemos
continuar a exportar recursos brutos ao desbarato e importar produtos acabados a preços insustentáveis que sufocam a nossa economia. Precisamos de transformar o carvão, o gás, os minerais e os produtos da agricultura em bens processados finais, em riqueza que se traduza em oportunidades de emprego, em desenvolvimento da tecnologia e da inovação, em bem estar e dignidade para o nosso povo. E quem, melhor do que os engenheiros Moçambicanos, para liderar este processo?

A lógica de recrutamento de mão-de-obra em engenharia para os projectos de engenharia precisa ser revista: ela deve priorizar o desenvolvimento da
capacidade nacional ainda que continue a abertura à cooperação e colaboração com outras capacidades internacionais reconhecidamente indispensáveis, orientada para o crescimento e consolidação da capacidade nacional. Por outras palavras: a lei deve ser escrupulosamente observada nesta esfera!

Face aos acontecimentos mais recentes no país, seria criminosamente omisso se não abordasse um problema que sempre me apoquentou, como Moçambicano e como engenheiro: os impactos cada vez mais insustentáveis dos chamados desastres naturais cíclicos.

Moçambique precisa de ser repensado com firmeza, resolução e pragmatismo. Os eventos climáticos extremos não são obra do acaso. Eles são um fenómeno reconhecido cientificamente como característico e intrínseco à localização geográfica peculiar do nosso país e à extensão da sua linha costeira. Por isso, estes fenómenos agravar-se-ão com o tempo e contra isso, nada podemos fazer. Mas devemos adaptar-nos e ser pro-activos substituindo o conformismo por resiliência infra-estrutural e políticas de desenvolvimento urbano mais arrojadas e em consonância com a realidade de um país costeiro e altamente vulenrável aos eventos climáticos extremos como é Moçambique.

Não podemos continuar a viver com um calendário conhecido e normalizado para a tragédia: conhecemos a época em que iremos morrer, os locais onde as mortes e a destruição ocorrerão, as causas que nos levarão às perdas de vida, de infra-estruturas e de bens, e ficamos apenas à espera de registar as estatísticas dos perecidos, dos bens e infraestruturas perdidos. Esta lógica de esperar pelo desastre para depois chorarmos e clamarmos por apoios é insustentável, humilhante e demasiado irresponsável para connosco mesmos. O país precisa de construir resiliência antecipada, capaz de enfrentar os impactos dos eventos extremos de natureza climático-ambiental. Defendemos uma solução específica, responsável e competente. E não há nada de novo nisso!

A engenharia deve assumir a liderança na produção de soluções pragmáticas. É imperativo criar uma unidade técnica de resiliência tecnológica, que coordene esforços, desenvolva sistemas de prevenção e garanta que as tragédias anunciadas não se concretizem. Esta entidade deve ser o centro de inovação e resposta, capaz de transformar conhecimento científico em acções concretas que protejam vidas, património e infraestruturas. Não podemos promover a descredibilização da engenharia e dos seus praticantes. Com efeito, é possível reverter este cenário: basta que todas as partes colaborem e abracem-se.

Com engenheiros à frente, Moçambique pode deixar de ser refém da vulnerabilidade e passar a ser exemplo de preparação e adaptação, a nível internacional. O futuro exige que sejamos proactivos, que transformemos a dor das perdas em determinação para construir um país resiliente, capaz de enfrentar os desafios climáticos e ambientais com coragem, ciência e tecnologia.

Colegas, este mandato não será apenas de gestão. Será de mobilização, de mobilização da classe, de mobilização da Sociedade, de mobilização do Estado e do sector privado para que juntos possamos colocar a engenharia no lugar que lhe pertence: no centro da construção de um Moçambique moderno, justo, resiliente e próspero.

Queremos deixar de reclamar e liderar a produção de soluções. Para isso, pedimos às autoridades a todos os níveis para que criem um ambiente livre de vícios, de preconceitos e actos de auto-dilaceração, e que permita a plena manifestação do poder inovador e trabalhador do engenheiro. Quando isto acontecer, todos ficaremos a ganhar e, em último caso, o país e as gerações vindouras irão registar de forma indelével o momento em que decidimos mudar de atitude. Faço minhas as palavras que um dia ouvi do Presidente da República: “jamais teremos resultados diferentes se continuarmos a agir como sempre o fizemos”.

Concluo reafirmando: a Ordem dos Engenheiros de Moçambique já possui condições para ser, de hoje em diante, uma instituição sólida, activa, interventiva, moderna e próxima dos seus membros.

O futuro da engenharia Moçambicana depende de nós, e coloquem-se as oportunidades à nossa frente, com pragmatismo, que nós não nos permitiremos falhar.

Aos membros da nossa agremiação, faço um apelo forte: a OrdEM somos nós! Engajemo-nos na busca de soluções para os problemas que nos apoquentam, de forma colectiva e em uníssono, procuremos apresentar cada crítica acompanhada de uma potencial solução e abramos as nossas mentes para ouvirmo-nos mutuamente sem preconceitos. Só assim seremos fortes e capazes de mudar para melhor, a OrdEM, o país e a Sociedade.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Gostaria de expressar um sincero agradecimento ao Eng. Feliciano Dias e à sua equipa pelo trabalho indiscutivelmente positivo desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos na Ordem dos Engenheiros de Moçambique. A dedicação, visão e empenho demonstrados foram fundamentais para consolidar a instituição e elevar o prestígio da engenharia no país. A OrdEM internacionalizou-se de forma marcante nos últimos 5 anos, graças à sua visão. Hoje estamos na WFEO, FAEO, SAFEO, CIELP como membros de pleno direito e queremos capitalizar estas oportunidades, seguramente.

Estendo igualmente este reconhecimento aos anteriores bastonários — os engenheiros Carmo Vaz, Augusto de Sousa Fernando e Ibraimo Remane —cuja contribuição indelével marcou de forma profunda o fortalecimento da OrdEM que hoje herdamos. O estágio actual da nossa instituição é fruto do legado que todos eles construíram com esforço e compromisso, e por isso lhes rendemos a mais elevada homenagem.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O desenvolvimento sócio-económico é, em primeiro lugar, uma obra de engenharia. Por essa razão, o nosso lema de governação é “Por uma OrdEM impactante no desenvolvimento da Engenharia em Moçambique”.

Excelências, é isso que queremos dizer e fazer, permitam-nos e orgulhar-se-ão desta classe!

Alberto Júlio Tsamba

Bastonário/OrdEM, 09 de Abril de 2026

Mensagem do Bastonário

Discurso de tomada de posse

Candidato a Bastonário – Feliciano Dias, Membro 283

Discurso de tomada de posse

Candidato a Bastonário – Feliciano Dias, Membro 283

Boa Tarde,

Senhores Membros do Governo da República de Moçambique,

Senhora Presidente Interina da Mesa da Assembleia Geral da Ordem dos Engenheiros de Moçambique,

Ilustres Bastonários da Ordem dos Engenheiros de Moçambique,

Ilustres membros da OrdEM,

Distintos convidados que nos acompanham pelas redes sociais,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Ao iniciar a minha alocução, permitam-me que através dos Bastonários que me antecederam, agradecer a todos os colegas que fizeram parte dos vários elencos da OrdEM desde a sua criação, pelo trabalho realizado, ao longo dos quase 20 anos de existência da nossa agremiação, a mais antiga ordem profissional de Moçambique. Temos consciência plena do caminho trilhado e dos esforços que cada um dos que nos antecederam envidou para que hoje estivéssemos neste estágio.

Com efeito, a OrdEM tem hoje mais de 5 mil membros espalhados pelo país e alguns membros a cumprir missões no exterior, 10 membros colectivos, um edifício próprio, núcleos provinciais em Sofala e Manica e Comissões instaladoras em Inhambane, Zambézia, Tete e Nampula.

Para os mais cépticos, o trabalho realizado pela OrdEM poderá ser classificado como tendo sido pouco. Contudo, quem tem acompanhado as actividades da OrdEM nestas duas décadas de existência, jamais deixará de registar o crescimento em condições difíceis da nossa agremiação, graças ao esforço dos seus associados e seus membros eleitos para os vários conselhos directivos.

O slogan que escolhemos para o nosso mandato – “Por uma OrdEM Forte, Inclusiva, Dinâmica e na Vanguarda do Desenvolvimento do País” pretende dar, à nossa OrdEM, a dimensão que ela merece, pois, a Engenharia é o motor de desenvolvimento de qualquer país. Apenas com uma Engenharia forte poderemos atingir os propósitos de desenvolvimento que almejamos para a nossa pátria amada.

Defendemos uma OrdEM inclusiva e presente em todo o país, para que todos os membros se sintam nela representados.

Como tivemos oportunidade de partilhar ao longo do período de campanha, neste mandato que hoje iniciamos, as nossas acções serão desenvolvidas baseadas em 5 pilares, nomeadamente:

  1. i) Consolidação da OrdEM;
  2. ii) Estabelecimento ou fortalecimento de parcerias com as autoridades governamentais e privadas;
  • iii) Modernização da Gestão de Membros e Serviços prestados ao engenheiro;
  1. iv) Elevação dos índices de transparência e de equidade na gestão dos recursos da organização; e,
  2. v) Promoção de inovação e empreendedorismo no seio dos Membros.

Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Estimados colegas,

A prevalência, a nível global, da pandemia que nos impões restrições sem paralelo, determinou que a modernização da nossa OrdEM iniciasse mesmo antes da nossa lista apresentar a candidatura, graças à iniciativa do Conselho Directivo cessante, que tomou a decisão de realizar as eleições de forma remota, com a votação on-line, o que foi um marco ímpar na história de Moçambique, pois, foi a primeira vez, que uma organização como a nossa, usou esta tecnologia de votação online, com a devida garantia de transparência e com os instrumentos necessários de auditabilidade e avaliação do processo eleitoral.

A abertura, neste mandato, dos Colégios de Informática e Computadores e de Geotecnia e Minas, que se juntam aos outros 5 já em funções, pretende conferir à OrdEM a estrutura necessária para acompanhar o desenvolvimento global nesta era marcadamente digital e dominado por inteligência artificial, bem como, criar a capacidade necessária para participar na gestão dos recursos minerais do País.

Minhas Senhoras, Meus Senhores

Estimados colegas,

Permitam-nos que usemos uma citação bíblica “a seara é grande e os trabalhadores são poucos”

Para a realização das várias actividades que teremos pela frente, queremos contar com a colaboração de toda a Sociedade Moçambicana, em geral, e, em particular, com todos os nossos membros, independentemente do local onde se encontrem e da sua condição em relação a OrdEM, se estagiários ou efectivos.

A nossa Ordem será mais forte com o trabalho de equipa. Por isso, endereçamos um convite especial aos nossos jovens engenheiros, que são o garante da continuidade da nossa organização, da inovação e da criatividade tão importantes quanto a experiência dos nossos membros mais velhos, com quem gostaríamos de continuar a contar também.

Para terminar, quero agradecer aos 30 colegas que constituem o actual Conselho Directivo, por terem aceite “embarcar” comigo neste projecto, que irá exigir de todos nós sacrifícios, não remunerados, em prol da nossa organização e especialmente em prol da engenharia em moçambique.

Cá estamos para trabalhar, neste mandato, Por uma OrdEM Forte, Inclusiva, Dinâmica e na Vanguarda do Desenvolvimento do País.

 

Muito Obrigado.

Maputo, 12 de Agosto de 2021